Ministério, vida e missão: relato de um caso de burnout em uma esposa de pastor | Por Vanessa Carvalho de Mello - Revista Práxis Missional
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Ministério, vida e missão: relato de um caso de burnout em uma esposa de pastor | Por Vanessa Carvalho de Mello

Comumente, os relatos de casos em artigos acadêmicos são técnicos, com o intuito de transmitir à comunidade acadêmica informações sobre o caso, condições, complicações, intervenções, aspectos clínicos raros ou algo que ainda não foi comunicado. Dados biográficos são importantes, mas a mirada biográfica é contextual e caracterizada, na maioria das vezes, por dados como idade, gênero, situação geográfica e outros que contribuem para a instrumentalização e intervenção do caso. No entanto, este artigo contará tão somente com um relato com dados retirados do livro Te seguiré, todos los dias de mi vida, uma autobiografia publicada em 2011. O relato histórico-clínico apresentado é de uma missionária, esposa de pastor em idade avançada, que no decorrer da sua vida laboral se deparou com vários agentes estressores. Posto que a paciente investigada, durante o período de pós-guerra civil espanhola, desempenhou um labor relevante com respeito à implantação de igrejas, evangelismo e missão urbana, achamos coerente relatar dados peculiares da sua biografia para servir de contribuição a todos aqueles que estiverem inseridos nesta área de atuação. Vários fatores determinantes de burnout[1] e depressão aparecem durante a discussão do caso, bem como a relação entre os mesmos.

Breve relato histórico-biográfico

L. nasceu em 1930 num pequeno povoado próximo a Madri, capital da Espanha, no seio de uma família estável e feliz onde tudo aparentemente corria bem. Sua rotina, simples e tranquila, acabou cedo devido à eclosão da guerra civil espanhola. Seu pai, convocado pelo exército republicano espanhol em julho de 1937, teve que ir a frente para socorrer os feridos da Batalha de Brunete em Madri e, desde então, nunca mais souberam dele.

Inúmeras famílias que haviam perdido algum familiar se refugiaram em alojamentos do exército localizados numa zona costeira ao sudeste de Madri. Por decisão do prefeito local, as crianças deveriam separar-se de suas mães e se alojar nas casas de famílias daquela localidade, para que posteriormente fossem enviadas à Rússia, ou internadas numa colônia para crianças órfãs.

L. e seus irmãos, por decisão de sua mãe, tiveram um destino um pouco melhor que aqueles pequeninos que foram enviados à Rússia, pois aqueles, vítimas da ditadura fraquista (Soler, 2003), não puderam voltar à Espanha antes do fim dos anos 1950. Fome, solidão, medo e abandono resumem um pouco do que L. vivenciou naquela colônia durante três anos. Ao fim da guerra civil, L., sua mãe e irmãos regressaram ao povoado de origem, onde tudo era ruína, e onde as únicas coisas que restavam eram algumas fotos.

L. aprendeu a ler com nove anos e por conta própria. Certo dia encontrou um colégio – internato reformado após a guerra – e, por conta própria, se matriculou e estudou durante certo período. Após criar bons vínculos com a madre superiora, decidiu que pertenceria a tal ordem religiosa. Com 18 anos L. iniciou os estudos equivalentes a antiga escola normal; relata em seu livro que, nesta época, seu irmão mais velho aparecia com uns folhetos em casa intitulados “La bíblia prestada” (A bíblia emprestada), e L. teve interesse em conhecer a pessoa que entregava estes folhetos, pois o conteúdo das mensagens vinha ao encontro de sua fé. Em sua autobiografia, L. relata este momento de maneira interessante:

Naqueles tempos tão duros e difíceis somente encontrava paz quando rezava. Jamais poderia imaginar a influencia crucial do meu irmão Antônio em minha vida, quando chegou um dia em casa e me disse que tinha conhecido um homem chamado Castro e que, este homem, falou sobre uma igreja evangélica protestante. Minha mãe acreditava que aquele homem era um comunista e que de trás de suas palavras generosas e solidárias ocultava um pensamento político perigoso (Fernández, 2011, p. 19).

Convidada pelo irmão a ir nesta igreja, ainda que sem o consentimento de sua mãe, L. assistiu ao primeiro sermão protestante de sua vida. Durante um tempo L. conciliou as atividades da missa e do culto, pois não queria defraudar suas amigas religiosas que lhe acolheram e ajudaram durante os tempos de colégio; porém, ela relata que acabou deixando de participar das celebrações católicas quando, no auge de seu “primeiro amor por Cristo”, comentou com um padre amigo da família que estava conhecendo mais sobre o evangelho. Inesperadamente, este se reportou a ela dizendo que lhe cortaria as orelhas (Fernández, 2011, p. 21).

Em 1950, L. professou publicamente sua fé protestante e, a partir de então, se tornou uma fiel participante e ativista nas atividades de evangelismo.

Em plena época de regime franquista, em uma Espanha católica, L. enfrentou todo tipo de perseguições. Nesta igreja, L. conheceu seu marido, A., um jovem que não vivenciou outro tipo de fé que não fosse protestante. Nascido num lar evangélico, de pais e avós missionários e que, no ano seguinte, seria enviado à Suíça para estudar num seminário onde se formaria pastor e, em seguida, regressaria à Espanha com uma missão: plantar novas igrejas. Assim, uma nova etapa se iniciava na vida de L.; convencida de que se converteria em “esposa de pastor”, ela seguiu rumo à Itália, onde estudou num Instituto Evangélico que prepara jovens mulheres para o labor missionário junto a seus futuros esposos pastores. Terminados seus estudos, L. regressou para a Espanha e se casou com A. Em 1956, L. e A. iniciaram sua vida laboral juntos, com poucos recursos enviados pela missão americana que os sustentava e dispostos a enfrentar todas as dificuldades possíveis pela causa do evangelho.

Interessante ressaltar que, em nenhum momento, L. faz referência a si mesma como pastora, missionária ou religiosa, termos normalmente utilizados para pessoas que desenvolvem este tipo de labor. Ainda que L. tivesse estudado teologia e se preparado para o labor missionário, ela estava inserida num contexto social onde a figura da mulher era pouco evidente e reconhecida. Em uma das entrevistas com L., ela contou que em seu holerite não figurava sequer seu cargo ou função. Nos anos 1960, L. já ocupava um cargo relevante na comunidade protestante da época, era vice-presidente da União de Senhoras Protestantes da Espanha.

L. e A. foram plantadores de igrejas, deram início a vários pontos de pregação e, atualmente, estes locais são templos organizados e devidamente estruturados como instituições religiosas. L. contou que seu trabalho consistia não somente na educação religiosa, mas também num trabalho físico, com atividades do tipo: subir paredes, construir bancos de madeira, costurar, cozinhar, hospedar os viajantes missionários que vinham para Europa, além de pregar, evangelizar, fazer visitas, cuidar dos filhos, da casa e do marido.

Entre os anos 1980-90, L. e A. já apresentavam sinais de cansaço, se sentiam fisicamente limitados para muitas coisas, porém, ainda assim completaram juntos os últimos trabalhos missionários: a implantação de uma igreja na localidade de Moratalaz e sua estruturação organizacional.

Ao final dos anos 1990, já com idade avançada, L. continuava colaborando na igreja, pois as igrejas na Espanha já eram independentes da missão Americana. L. desfrutava de uma aposentadoria quase fictícia. Durante uma entrevista, esta relatou que como os recursos enviados pela missão da América eram escassos, ela temia que sua aposentadoria não desse para muito, e que se sentia frustrada e triste sempre que falava sobre questões econômicas. Ainda que aposentada burocraticamente, L. seguiu trabalhando na igreja e no campo missionário, liderando grupos de senhoras, fazendo visitas, apoiando enfermos; como ela mesma relata em uma de suas conversas: “este tipo de trabalho é eterno, somos obrigadas a diminuir jornadas, nos faltam forças, enfim, já não temos tanto vigor, porém a obra jamais acaba” (Fernández, 2011).

Entre 2005 e 2007, L. já não se sentia feliz com seu trabalho. Numa conversa com um familiar íntimo, ele declarou: “Eu percebia que L. cumpria com suas atividades na igreja por obrigação e não por prazer”.

L. diminui suas atividades laborais para poder cuidar do marido, que estava enfermo e que logo veio a falecer. Em 2008, ela foi afastada totalmente dos trabalhos na igreja. Esgotada física e emocionalmente, recorreu à ajuda profissional. Atualmente recebe acompanhamento psicológico e psiquiátrico, além de apoio espiritual por parte de alguns membros da igreja. É freqüentadora assídua dos cultos de domingo, tem um perfil amoroso, acolhedor e continua servindo como modelo de pessoa de fé para muitos que a conhecem e se interessam em saber um pouco sobre sua história.

Abordagem ao caso 

L., 83 anos, viúva, teóloga/missionária, exerce o labor eclesiástico há mais de cinquenta anos. Seus problemas começaram por volta dos anos 1980-90 devido a várias ocorrências: desgaste físico decorrente da idade, falta de recursos econômicos necessários para a implantação e manutenção das igrejas e pontos de pregação, falta de profissionais interessados em atuar na missão, sobrecarga de responsabilidades, diversos problemas relacionados a trâmites burocráticos, dentre outros. Começou a sentir-se muito cansada fisicamente, ansiosa, tensa e insone. Ao final dos anos 1990, após aposentar-se legalmente, L. continuou exercendo seu trabalho, embora notasse uma exigência de maior esforço nas tarefas rotineiras.

Entre 2000 e 2004, as exigências de rendimento laboral aumentaram ainda mais. L. relatou que era difícil manter vínculos sociais sólidos devido a constantes mudanças de domicílio; além disso, ela acreditava que, ao desempenhar um papel de líder, administradora ou de chefe, por assim dizer, ela e o marido seriam a representação do próprio apoio social daquela comunidade. Em uma das entrevistas, ela confessou que constantemente tinha problemas gastrointestinais, problemas de coluna e dores de cabeça. Questões econômicas também permeavam o contexto laboral de L., pois, naquela época, os missionários contavam apenas com as chamadas “ofertas” para poder cobrir mensalmente gastos de aluguel, água, luz e comida, necessitando de uma renda adicional proveniente de outro trabalho.

Em 2005, L. diminuiu suas atividades na igreja, porém continuou trabalhando como autônoma em casa, fabricando peças de artesanato para vender e adquirir renda extra. Além do cansaço físico, dor muscular, sentia-se exigida além do seu limite emocional. Pensar em trabalho deixava-a irritada e impaciente, ao contrário do que sempre foi (considerava-o como prioridade, fonte de satisfação pessoal e orgulho, missão). Já em 2008, além da ansiedade, tristeza profunda, falta de prazer nas atividades, dificuldade em tomar decisões, perda de apetite, lapsos de memória, ela ainda nutria uma falta de esperança, sentia-se desvalorizada profissionalmente e com vontade de morrer. Foi então que iniciou seu tratamento psiquiátrico privado.

Fez uso de diversas associações durante três anos: tioridazina 10-30 mg/dia, cloxazolam 2 mg/dia, sulpirida 300-600 mg/dia, biperideno 2-4 mg/dia, nortriptilina 25-75 mg/dia. Em 2011 iniciou tratamento psicológico, pois apresentava sintomas como sentimento de culpa, insegurança, pensamentos negativos constantes, choro contínuo e medo excessivo. Segundo informes médicos e psicológicos, L. evoluiu com melhora importante da ansiedade e da insônia, melhora parcial dos sintomas depressivos e intensa dificuldade de lidar com situações referentes ao labor eclesiástico.

Atualmente participa de reuniões de autoajuda, aconselhamento pastoral e, a cada 15 dias, recebe apoio psicológico, uma vez que os sintomas depressivos ainda são muito frequentes.

Discussão teórica

O caso descrito apresenta vários dos fatores considerados como determinantes para a presença de burnout: sobrecarga, insegurança em relação às tarefas, falta de condições para exercer o trabalho, instabilidade econômica no emprego, falta de suporte da equipe/chefia, sentimento de injustiça, dentre outros. Os fatores pessoais de dedicação ao trabalho também estão presentes.

Todos os sintomas emocionais concernentes ao burnout, e sobre os quais fala Maslach (2000), estão presentes na paciente: exaustão emocional (EE), despersonalização (DE) e a diminuição da realização pessoal (RP). A hipótese de que burnout se desenvolve na medida em que as exigências laborais são elevadas e a presença de recurso é limitada, apresentada no modelo teórico de exigências e recursos laborais, criado por Demerouti, Bakker, Nachreiner e Schaufeli (2001), fica evidente neste caso.

O apoio social de que nos falam Schaufeli e Bakker (2007), causa importante do surgimento do burnout, é também outro fator determinante neste estudo de caso. A paciente também apresenta vários dos sintomas individuais de burnout relatados por Benevides Pereira (2002), França (1987), Gil-Monte (2005) e Schaufeli e Enzmann (1998), além da depressão propriamente dita.

Várias situações estressantes associadas com a depressão em idosos estão presentes neste caso, além dos fatores sociais que, segundo esclarecem Maria Izal e Ignácio Montório no livro Intervención psicológica em la vejez, se resumem em: falta de apoio social, solidão, falta de um confidente íntimo, falta de apoio familiar, viuvez ou perda de familiares próximos, recursos econômicos escassos, necessidade de ajuda financeira, além de ser cuidador primário de um familiar enfermo.

Embora apareçam associados com freqüência, vários estudos mostram que burnout e depressão são conceitualmente diferentes. Brenninkmeyer (2001, p. 87) sistematiza essas diferenças. Comparados com indivíduos deprimidos, os que têm burnout, segundo Brenninkmeyer: 1) aparentam mais vitalidade e são mais capazes de obter prazer nas atividades; 2) raramente apresentam perda de peso, retardo psicomotor ou ideação suicida; 3) têm sentimentos de culpa mais realistas, se os têm; 4) atribuem sua indecisão e inatividade à fadiga (e não à própria doença); e 5) apresentam mais frequentemente insônia inicial, em vez de terminal (como na depressão).

A natureza da associação burnout/depressão ainda não é bem conhecida; pode ser que seja devido aos antecedentes etiológicos comuns (ligados ao estresse crônico ou a fatores de personalidade, como traços neuróticos, por exemplo), podendo ser o burnout uma fase ou o precursor no desenvolvimento de um transtorno depressivo.

Iacovides, em seu livro A relação entre estresse no trabalho, burnout e depressão clínica (2003), sugere que burnout e depressão poderiam compartilhar várias características “qualitativas”, especialmente nas formas mais graves da primeira, propondo que sejam aplicados os dois diagnósticos em certos casos, tais como aqueles em que haja maior grau de disfunção no trabalho do que de sintomatologia depressiva, início da disfunção antes do início da depressão maior ou a existência de uma atitude negativa em relação à profissão, que não pode ser explicada como uma manifestação da depressão.

Várias hipóteses do modelo teórico de Beck (1967), um dos modelos mais utilizados para conceituar depressão em idosos, estão representadas neste caso clínico. São elas: a negatividade evidenciada nos pensamentos automáticos, a hipótese da especificação de conteúdos relacionados a perdas e falhas, a hipótese sobre as relações onde a pessoa autônoma, como a paciente em questão, apresenta um isolamento e certa indiferença sobre os demais. Outra hipótese é a chamada “Diátesis-Estrés”, pois, neste caso, a paciente se encontrava mais suscetível à depressão porque passou por vários eventos estressantes negativos como: a morte do esposo, a perda da independência financeira, ou melhor, a falta dela.

A sobreposição, no caso apresentado, da síndrome de burnout com depressão, leva-nos à hipótese primeira, de que a demora no reconhecimento do problema – burnout poderia ter resultado no desenvolvimento de uma complicação – se apresenta de modo acentuado devido, também, à idade já avançada da paciente. Parece que o burnout está relacionado não somente com uma profissão específica, mas também à maneira como se organiza o trabalho, cujo determinante fundamental é a impossibilidade encontrada por pessoas profundamente empenhadas em atingir um ideal (aqui representado pelo engajamento no trabalho) de realizar tal meta, ou melhor, tal “missão”.

Além das hipóteses levantadas, este estudo serve também de alerta às comunidades eclesiásticas com respeito ao cuidado que se deve ter com o cuidador, figura representada pelo/a líder, seja ele/a um pastor/a, padre/freira, missionário/a. Outro alerta é com respeito à organização no trabalho, levando em consideração sempre a necessidade de reforços positivos no apoio social. As informações histórico-biográficas da paciente podem vir a contribuir para uma maior compreensão da dinâmica do labor missionário e da vida como peregrino.

No entanto, relatos deste tipo, abrem porta para vários diálogos entre temas pouco investigados como burnout e depressão em trabalhadores idosos, temas sobre o stress laboral em profissionais do âmbito religioso, entre outros, além de estimular investigações em resposta à problemática apresentada.

Conclusão

Um relato de caso, ainda que detalhado, não pode responder a perguntas de âmbito clínico como: será que os casos que preenchem os critérios para burnout, tanto na clínica psiquiátrica quanto na psicológica, seriam casos a mais de depressão? Tampouco responde a perguntas do tipo: será que todo tipo de labor pastoral ou missionário está propenso a burnout e depressão? Ou então: as comunidades eclesiásticas têm atentado para problemas relacionados ao desgaste laboral destes profissionais? Em verdade, somente um estudo prospectivo, baseado num protocolo de pesquisa e investigação, onde só após se conceber um plano de pesquisa é que se inicia o recrutamento de pacientes, poderia responder estas perguntas.

Concluo este relato de caso parafraseando as sábias palavras do Professor Silla M. Consoli, citado por Delbrouck (2006):

Toda exaustão profissional no âmbito religioso não é nem um inevitável preço a pagar nem tampouco um pesadelo terrível que deveria desmobilizar-nos a todos, pelo contrário, é uma verdadeira lição de humildade que está ai para nos lembrar de nossos limites, para nos fazer tomar consciência de que também nós (e não só os membros de nossas igrejas) podemos ceder, sofrer, baixar os braços e, de súbito, reunir-nos numa mesma “humanidade” com aqueles que assistimos. Finalmente, a exaustão profissional está lá para nos recordar que é essencial sabermos cuidar de nós, pouparmo-nos e fazermos o bem a nós próprios, tal como recomendamos regularmente á aqueles que se achegam até nós, e que não vale a pena esperarmos adoecer!

Notas

[1] Burnout é uma condição de sofrimento psíquico, relacionada ao trabalho. Está associado com alterações fisiológicas decorrentes do stress (Shirom et. al., 2005), além das implicações socioeconômicas – absenteísmo, abandono de especialidade, queda de produtividade (Felton, 1998). Esta síndrome pode ser entendida como uma resposta a um estado crônico prolongado de stress no trabalho. O termo em inglês faz referência a certa disfunção psicológica que parece suceder de maneira mais comum entre trabalhadores cujo labor se realiza numa relação direta com pessoas, consequência de altos níveis de tensão no trabalho, frustração pessoal e atitudes pouco adequadas de enfrentamento diante das situações conflitivas.

Referências bibliográficas

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Sobre a autora

Vanessa Carvalho de Mello é doutoranda em Psicologia pela Universidade de Málaga, Espanha; Mestre em Intervenção Social e Comunitária pela mesma; especialista em Saúde Mental pela Universidade Estadual de Londrina; bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Sul Americana, em Londrina, onde é responsável pelo NADi (Núcleo de Apoio ao Discente).

Contato com a autora: vanessa.carvalho@teologia.com.br

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