Minando a Revitalização | Por Josh Laxton - Revista Práxis Missional
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Minando a Revitalização | Por Josh Laxton

1. Como os líderes podem arruinar o processo de revitalização nas igrejas locais

Imagine que você tenha passado toda a sua vida escravizado. A liberdade parece inatingível e a esperança, escassa. No entanto, um dia um homem estranho—um fugitivo do Egito—aparece com a mensagem de que Deus o enviou ao Egito para exigir que o faraó libertasse o povo de Deus para que Deus pudesse levá-lo à terra prometida.

Uma esperança que já fora extinta agora começa a ressurgir. A luz da liberdade começa a brilhar.

Durante os próximos dias, o drama se desenvolve, com milagres, pragas, destruição e morte competindo ao seu redor. Quando a poeira assenta, o faraó libera os escravos. Ele liberta você.

Liberdade! Ou é o que você pensava. Não passa muito tempo entre libertação e vingança. Faraó e o seu exército partiram para destruir você e todos os outros escravos libertos. Você volta a sentir medo, pânico e a esperança desvanece.

De repente, no entanto, há uma comoção e as pessoas apontando para o mar. Você olha para cima apenas para ver duas paredes de água—uma à direita e outra à esquerda. Você ouve um grito alto dizendo-lhe para marchar em direção ao mar. Com a adrenalina alta, você entra onde o mar deveria estar, mas em vez de água, você está em terra seca. Você caminha para a frente no lugar onde o mar existia desde a sua criação. Você cruza o mar e chega ao outro lado. Quando todas as pessoas atravessam em segurança, as muralhas do mar desmoronam sobre todo o exército egípcio.

E agora?

Aqui estão—escravos libertos no meio do deserto. Quem é você, aonde vai e como vai chegar lá? Estas são as questões que correm pela sua mente. Dias e semanas passam. A vida é dura. Sussurros e resmungos começam a espalhar pelo acampamento. Esses sussurros ficam cada vez mais altos até se tornarem reclamações para com Deus e Seu líder, Moisés.

Quando você pensa em se juntar às reclamações, o fogo do céu consome uma parte do acampamento e, imediatamente, há um silêncio. A queixa rapidamente se transforma em preocupação.

No dia seguinte, em vez de comer maná, você come carne pela primeira vez. Nada o satisfaz tanto em todo esse tempo. Mas enquanto você saboreia sua codorna, você ouve gritos à distância. Aqueles que tinham desejado a carne obsessivamente começam a morrer. E enquanto essas pessoas estão sendo enterradas, você começa a fazer a conexão que, quando as pessoas se queixam contra Deus e ficam obcecadas por outras coisas além Dele, elas acabam morrendo.

Você pensa para si mesmo que tem que haver um motivo pelo qual Deus libertou você—nós—da escravidão. Certamente, quando você se senta aí e pondera, tem que haver mais em Deus nos trazendo aqui, além de nos ensinar algumas lições espirituais de vida acerca de reclamações, glutonaria e idolatria.

Mais ou menos nessa época, você ouve relatos de que Moisés reuniu uma equipe de espionagem. Esses homens vão explorar a Terra Prometida—a terra que Deus prometeu dar aos descendentes de Abraão. Você não ficou tão animado desde o dia em que Moisés apareceu no Egito para compartilhar as boas novas da liberdade e da redenção. Agora, há notícias de uma Terra Prometida—uma terra de onde flui leite e mel—uma terra de bênção, prosperidade e bem-estar.

Finalmente, uma terra para chamar de lar.

Esperar o retorno dos espiões, no entanto, parece levar uma eternidade. Sua alma anseia pela bênção de Deus, pelo melhor de Deus, pela promessa de Deus, pela vida de Deus por você e por Seu povo. Você acredita que o retorno deles significa que você está um passo mais perto de experimentar o mover e a bênção de Deus.

Depois de 40 dias, as notícias se espalham pelo acampamento que a equipe de espiões está de volta. Todos, incluindo você, se esforçam para ouvir sobre sua fuga e o que Deus tem reservado.

Enquanto as pessoas se reúnem, os espiões colocam suas mãos em suas sacolas e tiram frutos da terra que dão água na boca. Eles descrevem verbalmente como a terra é realmente abundante e frutífera.

No entanto, o que vem a seguir não é o que você esperava ou imaginava. Em vez de palavras positivas e afirmativas, suas palavras estão cheias de negação e proibição: os habitantes da terra são demais para lidarmos. Eles são simplesmente fortes demais para serem conquistados. Nós nunca entraremos na terra prometida.

Mas do fundo da multidão há uma outra voz. Um homem, Calebe, diz que o povo deveria ir e tomar posse da terra. Aos olhos de Deus, os habitantes da terra não são páreo para o poder de Deus, Calebe lembra a comunidade. Seu ânimo cresce, apenas para ser eliminado mais uma vez.

Os pessimistas ganham, e assim o medo, a trepidação e a descrença são espalhados por todo o acampamento. Agora, ao invés de se moverem em direção à visão que Deus estabeleceu para o Seu povo, muitos querem retornar à escravidão na terra do Egito. Como resultado, Deus faz um julgamento sobre a comunidade de que ninguém acima dos 20 anos verá e entrará na terra prometida. Você nunca verá essa terra.

***

Obviamente, esta foi a história dos filhos de Israel esboçada em Números 13 e 14. No entanto, quando nos baseamos na sua relevância contemporânea, podemos comparar o que aconteceu no deserto com o que aconteceu e está acontecendo em muitas igrejas hoje – ou seja, há um vácuo de liderança para defender e proteger a visão do evangelho de alcançar pessoas distantes de Jesus em igrejas em dificuldades, secas e estéreis.

O resultado é que centenas e milhares de crentes passarão grande parte de seus dias na igreja—se não partirem para outra igreja—em mediocridade segura, monotonia e até desnutrição evangélica (missão) com suas almas ansiosas para experimentar a visão de Deus para suas igrejas.

Para abordar o tema de revitalização, este artigo notará a surpreendente realidade de quantas igrejas no Ocidente estão lutando no deserto da mediocridade e da desnutrição, à medida que experimentam a estagnação e o declínio e muito pouco impacto na comunidade. O artigo irá então mostrar como os líderes minam e prejudicam o processo de revitalização. E, finalmente, o artigo concluirá com uma exortação para os líderes escolherem um fim alternativo – de esperança e florescimento, em vez de luta e sobrevivência.

2. Lutando no deserto

As igrejas no Ocidente devem se preocupar com sua saúde e vitalidade. Não mais desfrutando do papel proeminente na sociedade e na cultura, a igreja no Ocidente tem lutado muito nas últimas décadas para manter e até mesmo alcançar novas pessoas. De fato, nas últimas décadas, o protestantismo histórico tem sofrido uma hemorragia.[1] Além disso, muitos evangélicos perceberam a luta que a igreja (em geral) estava tendo para alcançar uma cultura em mudança, o que levou muitas pessoas nas décadas de 1980 e 1990 a mudar sua estratégia metodológica na esperança de alcançar pessoas que deixaram a igreja e também aquelas que estavam longe de Jesus.[2]

Esta era viu a ascensão de Willow Creek, Saddleback, North Point Community Church e igrejas de estilo similar. Entretanto, alguns praticantes e especialistas em crescimento da igreja, como Aubrey Malphurs, veem a maior parte do crescimento numérico durante o movimento de crescimento da igreja, como resultado principalmente da transferência de membros de uma igreja para outra, em vez de conversões. (Malphurs, 1994, p. 62).

Mesmo que o crescimento numérico tenha sido a realidade de algumas igrejas nas últimas décadas, essa não tem sido a história para a maioria das igrejas estabelecidas.

David Olsen, em The American Church in Crisis (A Igreja Americana em Crise), prevê que aproximadamente 55.500 igrejas serão fechadas entre 2005 e 2020 (Olson, 2008, p. 176).

Em Comeback Churches (Igrejas Revitalizadas), Mike Dodson e Ed Stetzer acentuam que 70-80 por cento das igrejas norte-americanas sofrem declínio ou estagnação e 3.500-4.000 igrejas fecham a cada ano (Stetzer, 2007, p. 17).[3]

Frank Page, ex-presidente da Convenção Batista do Sul, observa em The Incredible Shrinking Church (O Encolhimento Incrível da Igreja),

De acordo com um relatório especial publicado na Leadership Magazine, das cerca de 400.000 congregações no país (EUA), 340.000, ou 85%, estão em patamar ou declinando. Alguns estão em crise, enquanto outros estão se enfrentando bravamente, gratos por não estarem em pior estado do que estão (Page, 2008, p. 8).

Há um aparente movimento eclesiástico de regresso ocorrendo na maioria das igrejas americanas. Em vez de crescer, muitas igrejas estão sofrendo de declínio severo e enfrentando a morte iminente. O estado de eficácia, fertilidade e impacto missional das nossas igrejas no Ocidente é sombrio.[4]

Enquanto muitos defendem a plantação de igrejas como o antídoto para essa infecção mortal das igrejas ocidentais, a questão ainda permanece: “Como podemos revitalizar essas igrejas em dificuldades?”

Revitalização não é tarefa fácil. Em Planting Missional Churches (Plantando Igrejas Missionais), Ed Stetzer escreve:

Salvar igrejas mortas ou moribundas é muito mais difícil e, em última análise, mais caro do que começar novas. Algumas autoridades até argumentam que mudar uma congregação rígida e tradicional é quase impossível. Como Lyle Schaller indicou, mesmo que seja possível, ninguém sabe como fazê-lo em larga escala … A revitalização da igreja não acontece muito, mas às vezes acontece. Fiquei impressionado com o quão raramente ocorre… (Stetzer, 2006, p. 11).

George Barna também comenta: “Em muitos casos, tentar revitalizar uma igreja em declínio é provavelmente um esforço desperdiçado” (Barna, 1993, p. 15). Este comentário sagaz vem à luz de quão rigorosa e exigente a revitalização da igreja pode ser. Embora a revitalização seja difícil, é também uma oportunidade para demonstrar o poder do evangelho.

Se o evangelho traz os mortos à vida, não deveria ser capaz de despertar igrejas decadentes e moribundas? Absolutamente! Assim, revitalizar as igrejas é uma tarefa do evangelho.

O que está envolvido nessa tarefa do evangelho de renovar e revitalizar igrejas em dificuldades, secas e estéreis? Muito já foi escrito abordando o que está envolvido na revitalização (por exemplo, a importância de pregar o evangelho, ser um líder que conduz com convicção e coragem, basear tudo na oração, desenvolver paciência para esperar, e abraçar a unidade em torno de uma visão nova ou renovada).

Com um conteúdo teológico e prático tão bom hoje em relação à revitalização, há um elemento nessa tarefa do evangelho que é normalmente negligenciado. Esse elemento é um grupo de líderes que defende e protege a visão de uma igreja revitalizada.

3. Minando a Revitalização

A maioria já ouviu o ditado popular que diz, “Tudo depende do líder”. Com relação à revitalização da igreja, esse conceito não poderia ser mais preciso. Para uma igreja ser revitalizada e renovada, e experimentar saúde, vitalidade, crescimento e multiplicação, é necessário que líderes sejam piedosos, capacitados, tenazes, amorosos, ferozes, pacientes, unidos, humildes e cheios de fé.

Dependendo da governança da igreja, esses líderes podem variar de líderes pagos profissionalmente (funcionários) a leigos (que supervisionam a direção da igreja) aos vários membros dos diversos comitês ou ministérios que ocupam cargos de liderança.

Esses líderes têm nas suas mãos a chave para o futuro revitalizado da igreja, assim como o grupo de espiões tinha a chave para o futuro de Israel na Terra Prometida. O problema para muitas igrejas que precisam hoje de revitalização é que elas não têm a liderança necessária para levar a igreja à terra da revitalização e renovação.

Deixe-me delinear quatro maneiras pelas quais os líderes podem minar a visão de uma igreja revitalizada. Compreender estes pontos irá (1) ajudar os pastores e líderes da igreja a fazer as perguntas certas, à medida que levam as igrejas em dificuldades para a vitalidade do evangelho e (2) impedir que muitos líderes minem o processo de revitalização.

3.1. Primeiro, eles acreditam que está tudo bem.

As igrejas estão condicionadas perfeitamente para continuar fazendo o que estão fazendo. Em outras palavras, os líderes não precisam mudar uma coisa para sustentar sua condição atual. Para muitas igrejas, isso significa um lento vazamento de membros, batismos e finanças, mantendo a imagem de que tudo está bem.

A verdade sobre a revitalização é que toda igreja deve estar constantemente engajada no processo de revitalização. A revitalização de uma igreja é como a santificação para um crente. Santificação, para um crente é o processo de ser conformado à imagem de Jesus. A revitalização de uma igreja é o processo de ser condicionado ao testemunho e à missão do evangelho. A revitalização busca centralizar o DNA de uma igreja em torno da mensagem e missão de Cristo enquanto adota métodos e estratégias relevantes e eficazes para o discipulado e evangelismo no seu contexto.

O primeiro passo para a revitalização é o reconhecimento. Uma igreja está precisando de revitalização se:

  • Ela teve em média 250 participantes nos últimos dez anos e não plantou uma nova igreja ou enviou pessoas como missionários
  • Batize principalmente filhos de membros
  • Ela não tem marca na comunidade com relação ao engajamento e interação

O evangelho não chamou igrejas para administrar centros sociais de atividades de desenvolvimento espiritual para os membros; em vez disso, foi chamado para libertar santos para o avanço da missão entre as nações.

A revitalização é prejudicada quando os líderes reconhecem verbalmente que querem crescer e alcançar pessoas distantes de Jesus, mas internamente esperam poder manter tudo igual e ver resultados diferentes.

Uma vez que a visão saia da teoria para a execução, então é aí que o enfraquecimento começa. Em geral, aqueles que minam a revitalização, publicamente estão de acordo com os pastores que expressam a teoria da visão. No entanto, ao executar a visão é quando eles começam a miná-la subversivamente (isto é, uma postura agressiva passiva e linguagem que reduz ou atrasa o crescimento e a mudança).

Isso pode se manifestar de várias maneiras. Abaixo estão algumas declarações que tais líderes podem fazer que expressam que não estão totalmente de acordo com as mudanças de revitalização:

  • “E se não fizéssemos nada?”
  • “Vamos esperar por um tempo”.
  • “Vamos pesquisar mais sobre o assunto”.
  • “Nós realmente precisamos fazer essa mudança? Fazemos assim há anos”.
  • “Vamos chamar outras pessoas para saber suas opiniões”.
  • “De acordo com nosso estatuto, não é uma decisão nossa”.
  • “Eu não estou confortável com isso”.
  • “O pastor está sendo muito apressado.”

Para que a revitalização ocorra, precisamos de conversas, diálogos e discussões robustas. Certamente haverá momentos de pausa para que a equipe possa orar mais e fazer mais lição de casa. No entanto, a resistência contrária vem daqueles indivíduos que secretamente têm um problema com a trajetória geral da revitalização. Agora que a revitalização está mudando do conceito para a implementação, eles estão vocalizando sua oposição de formas subversivas. Como resultado, a revitalização é prejudicada por uma temporada ou indefinidamente.

3.2. Em segundo lugar, esses líderes simpatizam com reclamantes e pessimistas.

Os líderes da igreja devem ter uma disposição amorosa e carinhosa quando se trata de outros. O amor deve ser o fator motivador em tudo o que fazemos. Jesus mesmo disse: “Ame o Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma e com toda a sua mente … Ame o seu próximo como a si mesmo” (Mt 22.37, 39). Naturalmente, estes são os dois maiores mandamentos. Até mesmo Paulo, em sua carta aos crentes efésios, abordou como o corpo da igreja deveria se edificar em amor (Ef 4.16).

A revitalização testa a compreensão bíblica do amor. Ela tende a incitar reclamantes e pessimistas que não gostam de mudanças e estão acostumados e preferem o status quo. Estes queixosos procuram alguém que tenha a capacidade de parar o que lhes causa desconforto. Como tal, eles se aproximam dos líderes que vão ouvir e simpatizar com eles, dando plataforma e credibilidade à sua reclamação. Com toda a justiça, muitos desses líderes estão simplesmente tentando amar bem essas pessoas. Apesar disso, seu ato de amor prejudica a tentativa da igreja de revitalizar.

Deixe-me compartilhar uma analogia. E se uma criança vier a um pai e começar a reclamar sobre a comida saudável que foi colocada diante dela? E se ela insistir em ter uma dieta de batatas fritas e sorvete no café da manhã, almoço e jantar? Um pai empático pode entender a frustração do seu filho, mas deveria ensiná-lo que sua dieta precisa ter alimento saudável como fundamento. Enquanto a criança ainda pede sempre batatas fritas e sorvete, pelo menos o pai amoroso gasta tempo para se envolver e explicar como seu filho deveria se alimentar de uma maneira saudável.

A fim de manter a calma e numa ilusão de ordem, um pai simpático, por outro lado, vai trabalhar para aliviar os sentimentos de desconforto de seu filho. Portanto, ele cederá às demandas. Ao fazer isso, o pai deu credibilidade e validade à alimentação desejada pela criança.

Você consegue adivinhar qual é o ato de amor altruísta e o egoísta? O ato altruísta do amor está tomando o tempo para compreender a criança e entrar em um diálogo e discussão sobre os sentimentos da criança e o porquê do pai escolher colocar esse tipo de refeição diante dela. O ato egoísta do amor é o pai simpático que se sensibiliza pela criança, mas porque não quer mais ouvir a queixa, cede à demanda da criança, minando assim a própria saúde da criança.

Esse tipo de amor egoísta acontece o tempo todo em igrejas que precisam desesperadamente de revitalização.

3.3. Em terceiro lugar, esses líderes acreditam que o custo é grande demais para eles.

Quando a maioria dos espiões olhou para a Terra Prometida, eles viram um custo muito alto para avançar. Seu padrão de progresso tornou-se o povo da terra em vez da promessa da terra. Em outras palavras, o medo de perder a vida superou a fé de viver a promessa de Deus.

Muitos líderes dentro das igrejas que precisam de revitalização permitem que o medo de “e se” impedir a fé de “o que poderia ser”. Outra maneira de colocá-lo, eles matam o “uau!” com um “como?”. Há pelo menos três áreas onde o medo ou o custo do primeiro supera a fé do último.

Primeiro, o custo de abandonar as preferências metodológicas se revela caro demais para os líderes que minam a revitalização. Métodos preferenciais, como estilo de pregação ou música, estrutura de pequenos grupos, filosofia do ministério infantil, ou uma estratégia para engajar a comunidade provam usufruir mais de uma raiz primária do que terciária para o coração.

Como resultado, quando uma decisão é trazida à mesa para mudar a estrutura e a estratégia, a fim de ser mais eficiente e eficaz em alcançar pessoas distantes de Jesus e discipulá-las à Sua imagem, essa decisão é enfrentada pela oposição de líderes que estão tentando em última análise, preservar seu modo de vida religioso e adoração, em vez de fazer o que for preciso para avançar as boas novas de Jesus.

Segundo, o custo de deixar amigos com quem se cultuou durante anos revela-se caro demais para os líderes que minam a revitalização. Quando se trata de revitalização, nem todos entrarão no barco.

As mudanças podem ser demasiadas para alguns por qualquer motivo. Em muitos casos de revitalização, tenho visto pessoas deixarem suas igrejas e se afiliarem a outras. E em alguns desses casos (enquanto eles não reclamam publicamente ou expressam sua opinião em nome da paz na igreja), eles confiam aos líderes da comunidade que eles estão partindo para buscar a membresia em outro lugar porque não gostam da nova direção.

Esse êxodo de pessoas (especialmente aquelas que os líderes conhecem há anos) desencadeia um alarme de pânico, fazendo com que os líderes se afastem do avanço – recaindo assim para o passado. No final, ninguém ganha, já que aqueles que partem tendem a se afastar e a igreja para de avançar à nova direção que o Espírito está incentivando.

Terceiro, o custo de abrir mão da segurança e proteção do ambiente da igreja acaba sendo caro demais para os líderes que minam a revitalização. Quando uma igreja se torna um veículo para missão—alcançando pessoas longe de Jesus—ela será um grupo que recebe, não que afasta novas pessoas.

Novas pessoas que se juntam mudam a dinâmica da igreja. Tais mudanças deixam as pessoas desconfortáveis. Alguns membros podem até expressar negativamente que a igreja não é mais como antigamente. Alguns podem dizer que sentem que não têm mais voz. Alguns podem dizer que sentem que sua igreja foi roubada deles.

Em qualquer caso, os líderes que minam a revitalização começam a lutar pelo “conforto” dos membros de muitos anos. Como resultado, eles sugam a vida da visão.

3.4. Em quarto lugar, eles não confiam no processo.

Revitalização, como dito anteriormente, é basicamente uma forma corporativa de santificação. Assim, é um processo de ser corporativamente formado e moldado no corpo de Cristo. Tal processo incluirá altos e baixos, celebrações e confrontos e oportunidades e obstáculos. Aquelas igrejas que experimentam com sucesso a revitalização (e, portanto, o avivamento) são aquelas que têm líderes que confiaram no processo.

A chave para confiar no processo é conhecer a promessa de Deus (visão prometida) para quem Ele quer que você seja e para o que Ele o chamou a fazer. Em outras palavras, é imperativo ancorar o processo de revitalização à glória e ao reino de Cristo, e não à experiência e às exigências do povo.

Quando o primeiro acontece, os líderes abandonam o navio em vez de estabilizar o navio no meio da tempestade. No processo de revitalização, não é que a voz das pessoas não importe, é apenas que a visão de Cristo para a Sua igreja é mais importante.

4. Um final alternativo

Eu li um artigo que revelou como os finais dos filmes Star Wars: O Retorno de Jedi e Rocky I foram alterados.[5] O final original de Star Wars: O Retorno do Jedi tinha Han Solo morrendo. O final original de Rocky I fez com que Rocky recebesse dinheiro para perder a luta contra o Apollo Creed. Se você viu um dos dois filmes, Han Solo é um dos heróis da rebelião contra o império e Rocky venceu (de forma motivacional) o Apollo Creed. Ambos são finais gloriosos.

Hoje, muitas igrejas que precisam de revitalização estão experimentando um final mais trágico que os finais originais de Star Wars: O Retorno de Jedi e Rocky I. Tais finais são muito semelhantes ao fim dos filhos de Israel em Números 14 por causa dos dez espiões que deram um relatório negativo.

No entanto, podemos mudar os finais das histórias das igrejas que precisam de revitalização. Os finais podem ser muito mais encorajadores e gloriosos do que poderíamos imaginar. É claro que, para que isso aconteça, haverá necessidade de persistência na oração, na base da palavra de Deus, no compromisso com o evangelho e na paixão pela missão. Mas, além disso, como este artigo argumentou, será necessário que um corpo de líderes apoie, ao invés de minar, a visão dada por Deus de avançar. A terra prometida aguarda.

[1] Veja Ed Stetzer, “Churches in America—Part 2 (Igrejas na América – Parte 2),” 6 de julho, 2016 The Exchange, https://www.christianitytoday.com/edstetzer/2016/july/state-of-american-church-part-2.html

[2] Muitos se referem a essa mudança como o movimento “Crescimento da Igreja”, já que muitos líderes da igreja tentaram entender o aumento em termos dos números de convertidos, frequentadores e membros.

[3] Também, em Breaking the Missional Code, Ed Stetzer e David Putnam acreditam que 89 por cento de todas as igrejas não estão experimentando crescimento saudável.

[4] Rick Richardson, na sua obra recente, You Found Me (Você me Encontrou), anota baseada na sua pesquisa que somente 10 por cento das igrejas estão crescendo pela conversão.

[5] Stacy Conradt. “The Alternate Endings of 28 Movies.” Mental Floss, July 29, 2014. Acessado em 28, de junho 2019. http://mentalfloss.com/article/58013/alternate-endings-28-famous-movies.

Bibliografia
BARNA, George. Turn-Around Churches (Ventura, CA: Regal Books, 1993).
MALPHURS, Aubrey. Vision America: A Strategy for Reaching a Nation (Grand Rapids: Baker Books, 1994).
OLSON, David T. The American Church in Crisis (Grand Rapids: Zondervan, 2008).
PAGE, Frank. The Incredible Shrinking Church (Nashville: B&H Publishing, 2008).
STETZER, Ed. Planting Missional Churches (Nashville: B&H Publishers, 2006).
STETZER, Ed and Mike Dodson. Comeback Churches (Nashville: B&H Publishing, 2007).

Sobre o autor
Josh Laxton é PhD. Diretor Assistente do Billy Graham Center & Coordenador do Lausanne para a América do Norte.
Contato com o autor: joshua.laxton@wheaton.edu

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