E o verbo se fez live? Malabarismos homiléticos entre o púlpito e a webcam | Por Alan Brizot - Revista Práxis Missional
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E o verbo se fez live? Malabarismos homiléticos entre o púlpito e a webcam | Por Alan Brizot

Todos os atenienses, como também os estrangeiros que ali residiam, não tinham outro interesse a não ser contar ou ouvir a última novidade”.
(Atos dos Apóstolos 17:21)

Introdução

“Graças a Deus pela internet!”. Foi assim que determinado pastor, ferrenho opositor das novas tecnologias, abriu sua live. Parece que o jogo virou! A cena descrita serviu-me como um “gatilho” (expressão da moda no dialeto webiano) do conturbado momento pelo qual passa a igreja fora dos templos. A situação mundial, forjada pela pandemia do novo Coronavírus, fez do púlpito o itinerante do momento.

Segundo Keen (2012, p. 40):

A internet, que antes era apenas um canal para distribuições de informações impessoais, hoje é uma rede de empresas e tecnologias, concebida em torno de produtos, plataformas e serviços sociais — transformando-se, de uma base de dados impessoal, num cérebro digital global que transmite publicamente nossas relações, intenções e nossos gostos pessoais.

Alguns questionamentos começam, inevitavelmente, a surgir: a webcam virou o novo púlpito? O lugar do púlpito (não a situação) vai desaparecer ou apenas enfrentar a mutação do momento e voltar triunfante? Aquele pregador de linguagem rebuscada e sermões homiléticos clássicos permanecerá ou entrará para a história das espécies em extinção? A pregação triunfalista e apaixonada pelo discurso emotivo-motivacional vai permanecer? O horizonte que nos aguarda é convidativo?

Esses questionamentos aguçam a perspectiva e agitam o já tumultuado horizonte das inquietações. O exercício da pregação está enfrentando uma série de desafios: o desafio de outro ambiente – o virtual, por exemplo. Um lugar de percepções outras, sobretudo, no tempo e espaço da mensagem.  Outro desafio que se apresenta está nas limitações de ordem técnica, na falta de habilidade e costume na utilização do computador, do celular e demais aparatos de mídia. A famosa frase “os tempos mudaram” nunca fez tanto sentido, e nunca assustou tanto.

A amplitude da nova plateia também é parte da complexidade: gente de todos os lugares e idades, acostumada ao movimento frenético do oceano virtual: pouca atenção, infinita variedade e um cardápio que vai alucinadamente do bizarro ao lendário. Uma espécie de mal-estar nietzscheano-freudiano paira sobre o nosso tempo: nas conversas, no exercício escatológico, na sensação de impotência e, sobretudo, na frágil esperança de uma vacina ou de um descanso.

O atual momento também provoca mudanças drásticas na própria postura e atividade pastoral. A situação dos pastores é, no mínimo, curiosa, uma vez que, de uma hora para outra, tiveram de se “transformar” em YouTubers, além da dificuldade em lidar com uma ínfima parcela das pessoas que estavam ao seu alcance. Acostumados, muitos deles, aos auditórios lotados, agora falam, tristemente, com um auditório imaginário, virtual, cuja interação vai dos comentários (por vezes, maldosos) ao quase caridoso “like”. Isso sem falar nos haters e sua máscara preferida: o anonimato.

Meu olhar, neste texto, é para essa janela histórica que balança o púlpito e sacode a homilética. É uma tentativa de compreender, ainda que de modo elementar, os malabarismos feitos pelos pastores e pregadores obrigados a se reinventarem. Tudo é novo nesse momento, entretanto, toda novidade traz, em si mesma, as possibilidades para a glória ou o caos.

Malabarismo conceitual: a salada semântica está servida!

O cenário contemporâneo é propício aos malabaristas[1], pois muitos se apresentam como os “profetas desse tempo”, aqueles que descobrem mistérios, desvendam pistas da ação celestial, leem a gramática escatológica e, sobretudo, possuem as chaves, os segredos, os códigos. A busca pelo discernimento dos tempos e eras não é nova, mas parece acentuar-se sempre que algo novo surge no horizonte da história.

Uma das causas para essa frenética procura pelas cifras e mistérios está em um erro comum, mas ainda muito cometido: focalizar o alvo errado. A constante procura em “ler as entrelinhas”, captar “o que Deus está dizendo”, ou “decifrar os sinais do fim”, fatalmente transforma-se em distrações do verdadeiro alvo: Cristo! Ele é o nosso alvo –  Ele deve ser sempre a nossa chave hermenêutica e fundamento homilético –, a busca intensa e obsessiva por outras lentes interpretativas, é um sinal claro da nossa falha em olhar para Jesus.

Observe o que disse Wright (2020, p. 29):

O Novo Testamento insiste em colocar Jesus como imagem central e expandir a partir dele. No momento em que nos encontramos olhando para o mundo ao nosso redor e tirando conclusões sobre o que parece que Deus está fazendo, mas sem olharmos cuidadosamente para Jesus, corremos um sério risco de forçar uma “interpretação” que soa atraente, “espiritual” e inspiradora, mas que, na verdade, tira Jesus de cena. No velho dizer cristão: se Jesus não é senhor de tudo, então não é senhor de nada. (ênfase do autor)

O cardápio de expressões e candidatos a clichês é cada vez mais plural, polifônico, diversificado: “novo normal”, “culto on-line”, “cultos drive-ins”, “ceia virtual”, e até a plasticidade semântica da “ciber comunhão”. Os “chamados para fora” parecem não saber o que fazer com o “fique em casa”. Muitos estão vivendo um desconfortável Atos 2.46. A confusão da linguagem apenas escancara a Babel da interioridade, a complicada tarefa de tentar ler o tempo para não ser mais um “filho de Chronos” devorado pela fome dos fatos.  

Esse exercício malabarista também pode ser visto em outra arena: a relação com a mídia e o estranho corpo midiático de Cristo. O que vemos é um jogo de novidades: de um lado, gente buscando o insight, a iluminação que mostrará o futuro brilhante; do outro, aqueles que se rendem ao desespero e balbuciam um depressivo “Maranata!”. A geração do malabarismo semântico é muito parecida com os atenienses de Atos 17.21.

Essa busca frenética pelo “discernimento” serve como camuflagem dos medos. Muitos estão em pânico diante da verdade que a pandemia expôs: o fracasso dos discursos triunfalistas e mágicos. A vida, com suas tramas e dramas, não reconhece a falácia dos profetas de obviedades. Falta-lhes coragem para assumir que o profetismo do sucesso fácil é apenas ilusão. Os profetas da vitória constante não sabem o que é a dimensão bíblica do lamento.

Temos uma profusão de profetas que se dedicam a uma multifacetada engenharia do amanhã: visões, sonhos, positivismo gospel, tudo na tentativa de se antecipar ao desconhecido, contudo, faltam os profetas do lamento: aqueles que choram as lágrimas da misericórdia e consagram seu coração às mesmas causas do coração de Deus. O mundo chora amargamente e, se nós, como igreja, não temos sensibilidade suficiente para “chorar com os que choram” (Rm. 12.15), que diferença a nossa mensagem fará? No púlpito ou na webcam, ainda é um coração quebrantado que sinaliza transformações. 

O superficial e o desafio do tempo: o looping das velhas discussões

Os caçadores de novidades da Atenas pós-moderna são frenéticos, ávidos pela próxima “onda”, o outro “envio” mais radical, a nova “febre” que durará até o próximo “cancelamento” numa cultura que descarta e despreza com a mesma facilidade de Pilatos para lavar as mãos. É por isso que temos, na mentalidade evangelicalista contemporânea, o estranho “conceito” de avivamento descartável: aquele pequeno êxtase com data de validade cada vez mais apertada.

A experiência da informalidade nas lives tem muito desse momento líquido: uma verdadeira batalha pela atenção cada vez mais impaciente de quem habita o outro lado da conexão. É comum vermos pastores e pregadores tentando criar métodos, técnicas ou fórmulas que possam atrair – e manter – a atenção do seu vulnerável público. Quando a lógica de vendedor invade a homilética, o púlpito vira balcão, e a webcam, vitrine.

Se fizermos uma análise sobre a relação conteúdo/tempo do que tem sido pregado nas lives, a sensação é de confusão e perplexidade. De um lado, temos alguns pastores reproduzindo na ambiência virtual a mesma dinâmica do templo, porém, espremida nos poucos minutos de atenção do público e de efetividade dos aplicativos. Do outro lado, um público cada vez mais desinteressado, volúvel, sob a perspectiva dos frequentadores de shopping e sua inconstância imediatista.

Conversei[2] com alguns pastores e pregadores sobre as suas percepções da pandemia e, principalmente, das lives. Muitos responderam, basicamente, com a mesma ideia: tudo é muito novo, portanto, ainda não há grandes percepções ou ideias elaboradas. Pontuaram a oportunidade e o fato positivo de ter algum meio de comunicação com o povo sob seus cuidados. Houve quem reclamasse da superficialidade de algumas mensagens, das dificuldades técnicas em relação ao manejo das mídias e, também, quem pontuasse a certeza de rever conceitos, investir em melhoramentos no departamento de mídia de suas igrejas e até mesmo, fazer cursos visando o aperfeiçoamento de sua comunicação.

Edson Júnior, pastor da Logos International Church, em Brighton, Inglaterra, disse-me, em uma proveitosa troca de mensagens, o que considera um dos grandes problemas apresentados na confusão homilética contemporânea:

Nos últimos meses, milhares de lives foram produzidas por famosos e anônimos, porém muitas das mesmas revelaram um problema gritante do meio evangélico: a superficialidade de muitos que se propõem a falar e a compartilhar da fé. Veja que o problema não é a simplicidade. Por vezes, há mais profundidade nos que são considerados ‘simples’ do que nos que falam do alto da plataforma da ‘fama’, os quais, ao falarem, revelam que o que possuem é apenas a aparência, usada como uma máscara que visa disfarçar o que realmente são: vazios de Cristo e da compreensão do evangelho. São hábeis na arte da ‘pirotecnia das expressões de efeito’, mas totalmente atabalhoados e perdidos quanto a essência do que dizem crer[3].

Lourival Dias Neto, pastor presidente da Assembleia de Deus Madureira, em Sobradinho-DF, também opinou:

O manejo das redes sociais não é tarefa fácil, especialmente para quem, de repente, se viu obrigado a lançar mão dessas ferramentas. Combinar conteúdo com a forma de apresentá-lo em redes sociais, tem sido o grande desafio para pastores e pregadores. Tem muita coisa boa acontecendo, boas mensagens, mas muita produção desprovida de conteúdo, que apenas reverberam o que já foi dito, mas de uma forma pobre, tornando a pregação repetitiva[4].

As velhas discussões não faltaram: os exageros “proféticos” e suas teorias da conspiração, as escatologias do desastre e da fuga, os exageros de leitura histórica que chegam ao cúmulo de acreditar (e pregar!) que os termômetros digitais infravermelhos são “coisas do anticristo”, “instrumentos para a marca da Besta”, dentre outras leituras exageradas. O looping das velhas discussões alimenta-se das mesmas dinâmicas: a busca incansável pela compreensão de todos os fenômenos, o que não passa de uma tentativa inevitável de assumir o controle. Parafraseando Bauman (2017) o “pêndulo” parece demorar mais do lado superficial.

E agora, irmão Zé?

O desafio de pregar em “reuniões on-line” veio para ficar? Muitos já começam a fazer esse questionamento. Não é fácil para os pastores e pregadores acostumados ao modus operandi dos cultos presenciais, suprirem a demanda cada vez maior e mais intensa do público. A “intimidade virtual” não parece ser, de fato, intimidade. O que temos visto é uma aproximação tecnológica, encontro sem presença, ao menos física, sem calor. A interatividade mecânica tem se mostrado apenas um simulacro, efeito plástico. O grande perigo desse momento é o que se vislumbra somente quando temos coragem para olhar mais a fundo, além da tela do celular ou da cultura da imagem: o risco de nos tornarmos especialistas em distâncias, assim como já somos em vazio. Muitos estão convivendo com uma dúvida cruel: como colocar a máscara, uma vez que nunca tirou?

A geração da infoxicação – aquela enfermidade da alma adquirida pelo excesso de informação – caminha a passos largos para o precipício da desumanização. É a comunicação sem afeto, a fala sem voz, tudo pelo aparelho, sem abraço, sem vida. A conexão sem presença, o toque na tela, não no rosto. O exercício de uma estranha desencarnação, reverso de Cristo.

Dentre tantas carências que este tempo expõe, uma se destaca: carecemos de pregações bíblicas, cristocêntricas. O conteúdo da nossa mensagem não pode se tornar um refém da estética da novidade, seu poder está justamente na eficácia em todos os tempos. É preciso resgatar o valor homilético das relações. Saber que o público que nos ouve, que está nas lives, não é uma abstração tecnológica, um algoritmo, um número, uma estatística – é gente! Nossa gente! Como disse Mendonça (2017, p. 21): “(…) necessitamos reaprender o aqui e agora da presença, reaprender o inteiro, o intacto, o concentrado, o atento e o uno”.

O mundo está atônito perante o próprio momento. A pandemia mostrou que é preciso desacelerar, reaprender a graça da humildade e descer do pedestal. As Olimpíadas, a UEFA Champions League, grandes eventos e milhares de shows foram obrigados a parar, a interromperem a roda do mercado, estilhaçando a vidraça da arrogância. O mundo parou! A face desesperadora das inquietações tornou-se o retrato de uma geração. Segundo Kreeft (2015, p. 27): “Das vinte e uma civilizações que já existiram no nosso planeta de acordo com o cálculo de Arnold Toynbee, a nossa, o ocidente moderno, é a primeira que não tem ou não ensina aos seus cidadãos qualquer resposta para a questão do porquê existem”.

A situação de púlpito a que a webcam está exposta, pode se tornar um canal de alento, de encontro com a Palavra e com o descanso para a alma aflita. Acredito que o foco dos pastores e pregadores deve ser amorosamente alterado: ao invés da preocupação exacerbada com os que não estão ativos, é preciso valorizar os que lá estão, aqueles que, mesmo não gostando tanto da experiência, lutando para se contextualizarem, ainda honram seus líderes e lhes dão o privilégio de sua atenção.

O horizonte ainda é nebuloso, as marcas desse momento histórico ficarão. Minha oração é no sentido de que a nossa pregação aprenda lições valiosas. Que não sejamos condenados pelo pecado de desprezarmos um tempo tão propício ao aprofundamento das nossas bases. Que tenhamos novas percepções, profunda sensibilidade e mais cuidado. Acredito que a nossa linguagem e postura sofrerão ajustes e influências transformadoras. Oro para que a mutação da homilética gere um pregador mais consciente do que é o púlpito, ainda que seja pela webcam.

A comunicação e o envolvimento com as pessoas, no âmbito eclesiástico, passarão por profundas transformações. Os questionamentos sobre a identidade da igreja, sua missão e lugar no mundo, nunca foram tão necessários. A amplitude da vocação pastoral e a dimensão querigmática, atravessam seu grande momento de afirmação e reflexão. A pergunta de Paulo em Romanos 10.14, “como ouvirão se não há quem pregue?”, curiosamente, hoje, seria numa outra direção: O que ouvirão, quando todos pregam?

Comblin (2012, p. 305), em seu comentário sobre o texto de Atos 17.21, faz uma declaração extremamente atual: “Antes mesmo que Paulo comece a falar, os ouvintes já tomaram posições. Não procuram a verdade, mas apenas querem brincar com as ideias”. Infelizmente, grande parte do contingente midiático não quer aprender as verdades da Palavra, nem mesmo aprofundar a comunhão com os irmãos. Muito do que se via nos templos lotados não era um corpo coeso e “bem ajustado” (Ef. 4.16), mas uma ilusão de ótica, um efeito do ego, cuja etiqueta sempre foi amada e buscada avidamente: multidão.

O que vemos na atual “praça ateniense” é quase um déjà vu lucano-paulino: os ouvintes da Atenas domiciliar contemporânea, ajeitando suas confortáveis almofadas, prontos para “brincar com as ideias”, enquanto fazem outro pedido pelo aplicativo de entregas preferido.


[1] Entendo como “malabaristas”, nesse contexto, aqueles que usam e abusam dos símbolos e da linguagem imagética, assim como do imaginário popular, para alardearem seus conceitos, teorias e insinuações.

[2] Durante uma semana, pedi a alguns amigos pastores e pregadores, no Brasil e exterior (Europa e Estados Unidos), via WhatsApp, que dissessem quais eram suas percepções dessa quarentena e do fenômeno das lives. Não foi uma pesquisa, propriamente, mas tive um bom retorno. Conversei com mais de 30 pastores e pregadores, homens e mulheres, com idade entre 30-65 anos, nos dias 9-15 de julho de 2020. 

[3] Mensagens trocadas via WhasApp, entre os dias 9 e 15 de julho.

[4] Idem


Referências bibliográficas

BBAUMAN, Zygmunt. DESSAL, Gustavo. O retorno do pêndulo: sobre a psicanálise e o futuro do mundo líquido. Rio de Janeiro: Zahar, 2017.
COMBLIN, José. Comentário Bíblico Latinoamericano do Novo Testamento. Atos dos Apóstolos. São Paulo: Fonte Editorial, 2012.
KEEN, Andrew. Vertigem digital: por que as redes sociais estão nos dividindo, diminuindo e desorientando. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.
KREEFT, Peter. Três filosofias de vida. São Paulo: Quadrante, 2015.
MENDONÇA, José Tolentino. Libertar o tempo: para uma arte espiritual do presente. São Paulo: Paulinas, 2017.
WRIGHT, N. T. Deus e a pandemia: uma resposta cristã sobre o Corona vírus e suas consequências. Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2020.

Sobre o autor

Alan Brizotti é graduado em teologia, poeta e psicanalista. Escritor com 20 livros publicados. Professor e pesquisador das áreas de teologia, filosofia e psicanálise.

Contato com o autor: alanbrizotti@hotmail.com

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